Apresentações: uma oficina prática

No dia 27 de março de 2019 fizemos mais um Meet-up da comunidade do WordPress aqui em Curitiba. O encontro foi no Nex Coworking, onde apresentei esta oficina, para ajudar pessoas que queiram apresentar atividades em eventos, mas ainda não conseguiram fazer isso, por estarem com dificuldades ou dúvidas.

Começamos falando sobre cinco mitos associados a apresentações em público, que muitas vezes intimidam as pessoas. O primeiro mito é: a pessoa precisa ser especialista para apresentar atividades. Mas ser entusiasta sobre o assunto é tão ou mais importante que ser especialista, pois isso aparece na fala de quem apresenta de forma muito mais interessante e atraente para quem está assistindo. O segundo mito abordado foi o medo de não saber responder às dúvidas que o público possa ter. Isso não precisa ser um problema, pois mesmo que a pessoa não saiba respondê-las, o público respeitará muito mais a pessoa apresentadora se ela for honesta do que se tentar enrolar e responder qualquer coisa. É sempre possível dizer que vai procurar a resposta e publicar no seu blog, por exemplo, ou mesmo perguntar ao público se alguém sabe a resposta. O terceiro mito é sobre o nervosismo de estar em evidência. De novo, a melhor política aqui é a honestidade: muita gente tem medo de se expor, e se a pessoa que está se apresentando falar sobre isso, com certeza conquistará a empatia do público. O quarto mito se relaciona à atenção do público: muitos acham que se nem todas as pessoas estiverem com os olhos grudados em quem está se apresentando, é porque a apresentação é ruim. Mas, na verdade, essas pessoas “desatentas” podem estar até fazendo anotações, publicando sobre a apresentação em mídias sociais ou comentando com amigos sobre algo de que gostou na apresentação. E finalmente, o quinto mito é sobre o formato da apresentação: palestras são mesmo a única forma de apresentar um tema? Não necessariamente! Há diversas tipos de formatos e falamos sobre alguns mais adiante.

É importante vencer a síndrome do impostor. Um passo para isso é que as motivações para a apresentação estejam claras tanto para quem apresenta como para quem assiste. Isso dá segurança sobre os objetivos que se quer alcançar com a atividade e não frustra as expectativas da audiência. Com as motivações estabelecidas é que se escolhe um entre os vários tipos de atividades possíveis, como oficina, discussão, passo a passo, história, estudo de caso ou mesa redonda. Ou, porque não, uma palestra mesmo, se for o formato mais adequado ao tema e à pessoa apresentadora. E todos esses formatos podem ser individuais ou em grupo, se for melhor para quem apresenta ou para enriquecer o tema.

Esta apresentação aqui, por exemplo, foi uma discussão aberta com a plateia e, depois de discutir as questões acima, fizemos um trabalho prático de criação de atividades. Primeiro respondendo a uma série de perguntas para delimitar o assunto que mais interessa a quem apresenta. Lembrando que é essencial que o tema seja interessante primeiro a esta pessoa, depois ao público. Preparar temas pensando no público ou em quem vai selecionar não é uma prática aconselhada, pois o risco de a apresentação parecer seguir um script e soar “falsa” é maior. Não que seja ruim fazer e seguir um pequeno roteiro do que se vai falar, mas sentir o clima da audiência e abrir um verdadeiro canal de comunicação com ela aumenta a energia e a autenticidade da apresentação.

Sem esquecer da importância de criar também um resumo e bio claros, que façam as pessoas quererem assistir à atividade e não saiam frustradas por não encontrar o que o resumo descrevia. Para chegar a um resumo claro e direto, a pessoa apresentadora responde às seguintes perguntas, depois de escolher o tema que mais a atrai: quem, o quê, por quê, como, quando e onde. Por exemplo: se o tema escolhido for um um plugin favorito, as perguntas seriam: para quem esse plugin serve? O que o plugin faz? Por que esse plugin foi criado? Como ele funciona? Quando você o usaria? Onde você o usaria? E as respostas já servirão para fazer o resumo. Uma boa ideia é que o tom, o vocabulário e as palavras de destaque do resumo se dirijam ao seu público, seja informal ou formal, não aos curadores do evento. Para isso, a pessoa pode pesquisar o evento e o tipo de público que ele atrai. Outra abordagem é pensar: qual é a pergunta que a apresentação responde? Ela pode ser usada no resumo. E depois de pronto, é bom tentar editá-lo, inclusive pedindo ajuda a outras pessoas para isso (inclusive para revisar e ver se não ficou algum erro pra trás).

A bio segue uma regra de três: em terceira pessoa, descritiva em no máximo 3 frases, com economia de palavras. O que é relevante mencionar, levando em conta o público? Falar do cargo, emprego, credenciais, tempo de experiência, como acabou fazendo o que faz, hobbies interessantes? Tudo o que mostre o ser humano por trás do tema é interessante.

Finalmente fechamos lembrando que há muitas formas de falar, e também muitas formas de ver e ouvir. Cada pessoa tem seu jeito próprio de apresentar e por mais “regras” que a gente veja por aí, a autenticidade sempre atrai mais que fórmulas bem ensaiadas. E também lembramos que menos é mais, tanto em relação à quantidade de texto em apresentações visuais, quanto de nervosismo e… memelancias no pescoço.

No último slide deixei algumas referências que usei e cuja leitura recomendo para aprofundar o conhecimento sobre formas de apresentar:

  • WordPress Handbook: Conteúdo criado pelo grupo de diversidade da comunidade do WordPress sobre apresentações em público.
  • Tips for first time speakers: Artigo ótimo e recente da Emma Wedekind, em inglês, publicado na plataforma dev.to, com dicas sobre apresentações.
  • Fernanda Bernardo: Blog da Fernanda Bernardo, da Help4Papers, com artigos e muitas informações para apresentar conteúdos diferentes.

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